Nova espécie de dicraeossaurídeo descoberta!

Os dicraeossaurídeos são dinossauros saurópodes, com longos pescoços, cuja característica mais marcante é a coluna vertebral distinta com espinhas neurais longas e pareadas, detalhe que se tornou popular pela enorme proporção que se apresenta na espécie mais famosa do gênero, o Amargasaurus cazaui. Várias teorias foram formuladas sobre qual seria a finalidade desse característica morfológica, dentre elas a possibilidade de ser suporte ósseo para uma vela para termorregulação, crista acolchoada para exibição, corcunda para armazenamento de gordura ou núcleos internos para os córneos dorsais. Ainda existem teorias de que poderia servir como exposição sexual e/ou sistema de defesa contra predadores.

Desde a descoberta dos esqueletos quase completos do Dicraeossauro nas expedições de Tendaguru, Tanzânia, liderados por Werner Janensch do Instituto Geopaleontológico e Museu da Universidade de Berlim no início do século 20 (1909-1912), a presença de espinhos neurais bífidos alongados no esqueleto axial desse táxon sempre foi característica distintiva e icônica. Mais de oitenta anos depois, a descoberta de um novo e completo esqueleto dicraeossaurídeo do início do Cretáceo da América do Sul, o Amargasaurus, renovou as discussões sobre a anatomia vertebral peculiar desses dinossauros saurópodes.

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Parente do Amargasaurus, nova espécie descoberta foi batizada como Bajadasaurus.

Outras cinco espécies de dicraeossaurídeos são conhecidas, sendo elas o Lingwulong shenqui, o Suuwassea emiliae, o Brachytrachelopan mesai, o Pilmatueia faundezi e o Amargatitanis macni, dentre os quais, apenas nos fósseis do Brachytrachelopan foi possível confirmar o encurtamento do pescoço antes proposto para os animais do grupo, por apresentar a coluna cervical completa.

Um novo saurópode dicraeossaurídeo foi descoberto: Bajadasaurus pronuspinax, encontrado na Formação Bajada Colorada do Cretáceo Inferior (Patagônia Setentrional, Argentina). Entre as partes encontradas estão o teto dérmico e ossos palatinos, uma caixa craniana e uma mandíbula quase completa, que expandem o conhecimento sobre a morfologia craniana desse grupo, sobre o qual pouco se sabia sobre os ossos cranianos. Os elementos do crânio preservados, incluindo a mandíbula inferior completa, permitem a primeira inferência confiável do tamanho e da forma do crânio de um dicraeossaurídeo. Além disso, o crânio foi recuperado em articulação com a região anterior do pescoço e outra vértebra cervical com desenvolvimento excepcional de espinhas neurais cervicais curvadas anteriormente e bífidas, que informa hipóteses de comportamento de defesa em dinossauros saurópodes. A diferença temporal entre Bajadasaurus e Amargasaurus, um jovem saurópode espinhoso da bacia de Neuquén, sustenta que o desenvolvimento de uma cerca de espinhos era provavelmente adaptativo durante um longo período de tempo.

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Seu nome deriva do local onde foi encontrado, Bajada (espanhol para descida, em referência à localidade Bajada Colorada) e saurus (grego, lagarto). Pronus (latim, curvado para frente) e spinax (grego, espinha), referindo-se às espinhas neurais pontiagudas e curvadas das vértebras cervicais.

A característica que mais chama atenção na nova espécie é o tamanho de suas espinhas neurais e o fato de serem projetadas para frente. Os cientistas acreditam que a projeção é um forte indício de que esses animais desenvolveram esse aparato com intuito defensivo. A forma como eles utilizavam seus espinhos contra predadores, no entanto, ainda precisa ser estudada. Paleontólogos como Mark Witton acreditam que o dinossauro não usaria seus espinhos em estocadas contra predadores, mas como ferramenta de intimidação:

Eu gostaria de receber algumas avaliações de força óssea naquelas espinhas – elas realmente não parecem adequadas para empalar ou cortar outros animais. Especialmente grandes predadores de várias toneladas. Tenho certeza que eles pareceriam intimidantes quando brandidos em outro animal, predatórios ou não, mas como uma defesa física eles parecem bem inúteis. Uma bainha cornificada ajudaria a absorver as tensões de impacto, mas a resistência à flexão seria em grande parte até o osso, e isso parece muito fraco até onde consigo observar. Também estou curioso sobre por que a reconstrução mostra comprimentos de coluna tão elaborados mais para trás no pescoço. O dicraeossauro, por exemplo, tem comprimentos de espinha neural bastante uniformes.

 

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Ainda que não tivessem a função de empalar ou atacar diretamente aos predadores, existe a possibilidade de que os espinhos fossem ferramentas de proteção passiva. Qualquer coisa que impossibilite ou dificulte que seu pescoço seja mordido facilmente é uma belíssima forma de defesa.

 

Fonte:

https://www.nature.com/articles/s41598-018-37943-3

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