Trompetistas do Cretáceo

As diferentes espécies de dinossauros bico-de-pato seriam capazes de produzir notas diferentes entre si. Ao menos é o que diz uma nova pesquisa que analisou cristas tubulares desses dinossauros.

O pesquisador Jason Bourke, professor assistente de anatomia da Escola de Medicina Osteopática do Instituto de Tecnologia de Nova York, que lidera a pesquisa, diz que o fóssil analisado de uma espécie ainda desconhecida de Parassaurolofo foi reproduzido e a frequência do som obtido através da crista do animal é de 56 Hz, ficando entre o grave som produzido pelas cristas já estudadas do Parasaurolofus walkeri (48 Hz) e o mais agudo registrado pela crista do P. cyrtocristatus (75 Hz).

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A pesquisa, que ainda não foi publicada em um periódico revisado por especialistas, foi apresentada na 78ª reunião anual da Sociedade de Paleontologia de Vertebrados, em Albuquerque, Novo México, em 18 de outubro.

Ao todo, os pesquisadores analisaram os crânios parciais a completos de cinco dos dinossauros Parasaurolophus, que foram descobertos na formação Kaiparowits do sul de Utah, em rochas datadas entre 76 milhões e 74 milhões de anos atrás. Depois de colocar os crânios por meio de um scanner de tomografia computadorizada (TC), os pesquisadores fizeram uma imagem digital composta em 3D da crista do dinossauro de bico de pato e da passagem nasal. A imagem revelou que o Parasaurolophus sem nome tinha uma forma de crista que estava entre o de P. walkeri e P. cyrtocristatus!

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A espécie ainda não identificada permanece assim porque ainda não se sabe se trata-se de uma nova espécie ou pertence a alguma das já existentes, ou ainda se apenas apresenta alguma variação em relação a maturação do espécime (jovem, adulto…) ou ainda um sexo diferente em relação aos fósseis que já foram encontrados da mesma espécie.

Como as cordas vocais são feitas de tecido mole, e sabemos que tecidos desse tipo preservados são extremamente raros, não é possível saber ao certo qual era o barulho que os dinossauros faziam. No entanto, como o Parassaurolofo utilizava sua cavidade nasal e a crista para produzir sons, é possível estudar seus fósseis e ter ideia ideia de como eles soavam.

Os cientistas descobriram ainda que a cavidade desse Parassaurolofo não identificado era mais longa do que se pensava e é composta por uma série de ziguezagues dentro da crista. Todos esses laços estendiam as vias aéreas da criatura em quase um metro extra de comprimento. Este comprimento extra diminui o tom, dando-lhe um som mais grave.

Se o mesmo acontecer com o P. walkeri e com o P. cyrtocristatus, é possível que ambos também contassem com a mesma extensão das vias aéreas e suas frequências de ressonâncias fossem mais graves do que foram registradas previamente.

Para determinar a frequência de vibração dentro da crista do dinossauro ainda sem nome, os cientistas escanearam os fósseis e geraram um modelo virtual, pelo qual simularam o fluxo de ar, que acrescentou tecido mole virtual a 1 m/s (3,2 pés/segundo).

“É um pouco menos de 3 metros, então, teoricamente, se este animal estivesse respirando a um metro de segundo, levava 3 segundos para uma molécula de ar percorrer todo o caminho”, disse Bourke. “Então, é muito louco.”

 

Não é possível saber exatamente ao certo o tipo de som que os dinossauros produziam, mas esses cientistas utilizaram tecnologia de ponta para uma estimativa com base em princípios físicos e fisiológicos, e segundo eles, é provável que cada espécie de Parassaurolofo produzisse um som diferente por possuírem cristas diferentes.

Matéria original: https://www.livescience.com/63971-unnamed-duckbill-dinosaur-trumpet.html

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