Arqueopterix que voava

Durante muito tempo, um fóssil de Arqueopterix que passou de comprador para comprador ficou sem registros, pois esteve todos esses anos em coleções privadas. Mesmo sem vir a público com frequência, a espécie ficou conhecida entre a comunidade científica que o apelidou de o Arqueopterix “fantasma”, pelas aparições repentinas e raras.

Em 2009, Raimund Albersdörfer comprou o fóssil e o cedeu para os cientistas analisarem. Em homenagem ao gesto, a espécie ganhou o nome de Archaeopteryx  albersdoerferi. Desde o primeiro espécime de Arqueopterix, foram achados apenas 12 exemplares, alguns deles bem fragmentados. Há um certo debate sobre as espécies existentes, mas há consenso sobre pelo menos 3: A. lithographica, A. siemensii e a nova espécie catalogada, A. albersdoerferi.

O que mais chama atenção nas espécies de Arqueopterix é que se trata de um animal transitório, um elo de ligação entre os dinossauros e as aves modernas. Como as primeiras aves, o Arqueopterix possuía dedos com garras e ostentava dentes pequenos e afiados, que podiam agarrar e cortar presas, como lagartos, insetos, caracóis e vermes. Martin Kundrát, paleobiólogo na Universidade Pavol Jozef Šafárik, República Eslovaca, que lidera o estudo, faz a seguinte comparação em relação a essa nova espécie:

“Eu o descreveria como uma galinha com dentes e uma cauda longa e óssea”

Um dado interessante sobre a espécie descoberta é que ela é 400 mil anos mais jovem que as outras “primeiras aves” conhecidas. É o segundo menor dentro os espécimes encontrados.

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Os cientistas estudaram o fóssil utilizando microtomografia síncrotron, uma técnica de gerar imagem tridimensionais com raios X. Isso permitiu virtualmente reconstruir e dissecar o animal, bem como identificar adaptações esqueléticas no animal que o ajudariam a voar. Segundos os pesquisadores, essa espécie parece melhor adaptado ao voo que as outras espécies de Arqueopterix.

“A criatura recém-nomeada tinha ossos finos e cheios de ar; uma área maior de fixação dos músculos do voo em seu osso da sorte; e uma configuração reforçada de ossos em seu pulso e mão. Ele também tinha ossos fundidos no crânio e menos dentes do que os espécimes mais velhos.”

A análise do fóssil em relação à árvore genealógica também justificou a colocação tradicional do Arqueopterix no início (base) da árvore evolutiva das aves, segundo o autor do estudo. A pesquisa representa um grande avanço nos estudos sobre o dinossauro. Sua capacidades de voar vem sendo objeto de debate entre os cientistas durante anos. No entanto, Steve Brusatte, um renomado paleontólogo da Universidade de Edimburgo no Reino Unido, afirma “Quando olho para este novo fóssil, vejo as marcas de um animal que pode bater as asas e manter-se no ar.”

Artigo originalhttps://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/08912963.2018.1518443

 

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